Setembro / 2010

 

Luta de classe nazareia

 

Republicação da edição de fevereiro/2009

cacameneia@yahoo.com.br

 

 

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio e banhada na praia do Moçambique, aquela que ninguém gosta, visse? Azareia do Moçamba vévi vazia. Deve de ser por isso que tanto brigam por causo de falta de espaço pr’ocupar azareia de outras praia da Ilha Capitáli: elas tão lotada, tás tolo!

Lá na Florona, mô quridos, me dissero que azareia das praia tudo é de todo povo, que é livre pra ocupar ela de forma igualitariamente igual. Ah, bom! Deve de ser por isso que em Jurerê, por inzemplo, intentam que a zareia da praia deve de ter uma função social: a opção preferenciáli de ser ocupada exclusivamente pelos sem-bar - aqueles que não têm dinheiro pra gastar nas bodega a beira-mári que dão lucro pros maldito capitalista do neoliberalismo explorador dozoprimido.

Funciona assim: quem sai do sertão com a CNH vencida, dirigindo uma C10 anos 70, e roda um eito com quatro família completa esmagada na cabina, e a caçamba atrolhada com 6 colchonete, três mesa e sete cadeira plástica pé-quebrado (furtadas da Skol), dois garda-sóli furado, quatro caixote dizopor com 120 latinha de ceva, 12 Caninha 51 e dois refri litrão, a sacola plástica de supemelcado com um tapuéri cheio de pedaço de galinha de despacho enfarofada - que se come co’as mão memo, não tem? -, mais duas bola oficial pra “pelada” antes do armoço e um cavaco, três pandeiro e um surdão - arrombassi! - pro pagode no entardecer - UFA! -, tem mais direito humano de ocupar azareia das praia do que os bacana com roupa de grife, óculos rayban e rolex, que estaciona o carrão do ano e desce c’as mão abanando, com grana no banco pra passar o dia feito uns cheique dazarábia, suas xerezade e os herdeiro, escarrapachados nos colchão com dossel de seda que avoa suavemente co’as brisa do mári, osvindo didiêi estranja e sendo atendido quaji drento d’água, nas mesa com umbrelone, prato e taiéri, por garção ninformizado, sem nem percisar esgueiar o zoinho pra coluna dos preço do caldápo...

Ah, bom! É que rico não é povo, né?, mô cravos. E ocupar azareia das praia com luxo e conforto pra essa raça de turista que dá lucro pra empresário iscumunguento? Ni nóis de Floripa, não, moço! Que se vão pro Nordeste.

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

 

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