|

Ói, ói, ói, que sê
manezinha às vegi dói.
Sou só uma manezinha do
Norte da Ilha, nascida e
criada no Rio Vremeio.
Eu sou bem tola, vissem?
Não me desinformei em
nenhum curso para obeter
diploma de Zolnalista,
de Adevogada, Estória,
Bilióloga ou Soçóloga.
Nem estudei suficente
para me formar em
Cuidadora de Golfinho,
Ocupadora e Defensora de
Mangue Defecado, Gigolôa
da Natureza e muito
menos em Sonçalista de
Bustique, tás tolo?
Vou apreveitar o
carnaváli para obeter
uma profissão:
Espeçalista em
Sóçocarnavalismo
Galopante. Arrombassi!
Preenchi um curríco pro
Grêmo Reicriativo
Incultural Esmola de
Bamba dos Revoluçonáro
Unidos da Ilha da Magia,
o bloco dos RUIM da
Lagoa da Conceição. O
sanbemrredo deles pra
2011 é “Cuba sim! Em
nome da vredade.” Uma
côsa é uma côsa. Outra
côsa é outra côsa bem
deferente. O Bloco do
RUIM tá munto cheio de
inlusão idiótica sobre
as invredade
ideoilógicas do Fidéli
Casto malino. Por isso,
já vou até mandar um
anecho no curríco com a
lista das minha
colaboração pro desfile:
Falei com o meu primo, o
Neca da tia Zoca, o
istepô que é casado com
a Ninha do seu Deco,
aquela que vévi se
exibino na janela,
ofereceno os degote
co’as mamica de fora. O
Neco disse que eu posso
pegar a Brasília 66, que
ele pintou de vremeio
com a sobra de tinta das
janela da sala. Vou
sugerir uma ala pros
RUIM da Lagoa: As
Vredade dos Fugitivo do
Inferno Comunista. Vai
ter um bando de
morto-vivo, intanguido e
esfarrapado. A ala é bem
baratinha: maioria é
boneco de pano imitando
cadávre ensaguentado de
fuzilamento nos paredão.
E os que imitam os corpo
inchado, com as pele
caindo e faltando os
pedaço comido pelos
peixe, que representam
os afogado no mári. A
Brasília do Neco vai pro
carro alegórico A
vredade das Balsa pra
Miami. Mas o Neca pediu
que não é pra deixar
entrar mais de 50
fugitivo de Cuba na
Brasília dele, que é pra
não terminar de cair o
çoalho.
Falei com a vó Tonha e
pedi pr’ela me emprestar
as muleta quebrada e o
pinico furado que era do
falecido vô Delço, de
quando ele tava
entrevado co’derrame
celebral, logo depois de
escapar do colaço
cardíco e de bem antes
de aparecer os tumor nas
tripa groça. Vou sugerir
pro bloco dos RUIM uma
ala só de veinhos
doente: A Vredade dos
Idoso Sem Ter onde Cair
Morto.
Tamém já deixei um
recado pra Dadá, e a mãe
dela, a Maria Gonha.
Trezontonte, o pilido da
Maria era Semvregonha,
mas o cornudo do marido
dela meaçou dar tiro com
o chimite em quem
chamasse ela do que ela
sempre foi. O marido
cornudo é aquele, o João
dos Vrido, que vendeu a
vridaçaria pro tio Zozó
e nunca desacupou.
Então, então. A Dadá é
aquela que o macharedo
tinha apelidado de
Clarimunda, porque é
feia de cara e boa de
bunda. Só podia dar côsa!
O pai dela matou um por
causo disso. Daí, os
rapági começaram a
chamar a rapariga de
Clari, mas o João dos
Vrido, que tava
aforagido da prisão na
épa, meaçou de novo
mandar bala com o
chimite. Foi quando
pilidaram a bisca de
Dadá, que dá mais que
chuchu na serra. Então o
João dos Vrido se
arrenegou-se, se
entregou pros políça e
vévi preso inté dizaôji.
O tio Zozó pegou a
vridaçaria pr’ele e bate
os coroto num dia co’a
mãe e noutro co’a filha.
Vou convidar as duas pra
sair fantasiadas de
Conchita na ala A
Vredade das Jinitera, as
prostiputa que trabaiam
nos resort de lá - na
ilha de Cuba, resort de
luxo póoode! As jinitera
fáji todas côsa seçuali
com os turista a troco
de 5 dólar, uma drumida
em colchão firme e um
banho de água quente.
Ói, ói, ói, que sê
manezinha às vegi
dói.dói...
|