Novembro / 2010

 

O bloco dos RUIM da Lagoa - Parte II

 

cacameneia@yahoo.com.br

 

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio. Eu sou bem tola, vissem? Não me desinformei em nenhum curso para obeter diploma de Zolnalista, de Adevogada, Estória, Bilióloga ou Soçóloga. Nem estudei suficente para me formar em Cuidadora de Golfinho, Ocupadora e Defensora de Mangue Defecado, Gigolôa da Natureza e muito menos em Sonçalista de Bustique, tás tolo?

Vou apreveitar o carnaváli para obeter uma profissão: Espeçalista em Sóçocarnavalismo Galopante. Arrombassi! Preenchi um curríco pro Grêmo Reicriativo Incultural Esmola de Bamba dos Revoluçonáro Unidos da Ilha da Magia, o bloco dos RUIM da Lagoa da Conceição. O sanbemrredo deles pra 2011 é “Cuba sim! Em nome da vredade.” Uma côsa é uma côsa. Outra côsa é outra côsa bem deferente. O Bloco do RUIM tá munto cheio de inlusão idiótica sobre as invredade ideoilógicas do Fidéli Casto malino. Por isso, já vou até mandar um anecho no curríco com a lista das minha colaboração pro desfile:

Falei com o meu primo, o Neca da tia Zoca, o istepô que é casado com a Ninha do seu Deco, aquela que vévi se exibino na janela, ofereceno os degote co’as mamica de fora. O Neco disse que eu posso pegar a Brasília 66, que ele pintou de vremeio com a sobra de tinta das janela da sala. Vou sugerir uma ala pros RUIM da Lagoa: As Vredade dos Fugitivo do Inferno Comunista. Vai ter um bando de morto-vivo, intanguido e esfarrapado. A ala é bem baratinha: maioria é boneco de pano imitando cadávre ensaguentado de fuzilamento nos paredão. E os que imitam os corpo inchado, com as pele caindo e faltando os pedaço comido pelos peixe, que representam os afogado no mári. A Brasília do Neco vai pro carro alegórico A vredade das Balsa pra Miami. Mas o Neca pediu que não é pra deixar entrar mais de 50 fugitivo de Cuba na Brasília dele, que é pra não terminar de cair o çoalho.

Falei com a vó Tonha e pedi pr’ela me emprestar as muleta quebrada e o pinico furado que era do falecido vô Delço, de quando ele tava entrevado co’derrame celebral, logo depois de escapar do colaço cardíco e de bem antes de aparecer os tumor nas tripa groça. Vou sugerir pro bloco dos RUIM uma ala só de veinhos doente: A Vredade dos Idoso Sem Ter onde Cair Morto.

Tamém já deixei um recado pra Dadá, e a mãe dela, a Maria Gonha. Trezontonte, o pilido da Maria era Semvregonha, mas o cornudo do marido dela meaçou dar tiro com o chimite em quem chamasse ela do que ela sempre foi. O marido cornudo é aquele, o João dos Vrido, que vendeu a vridaçaria pro tio Zozó e nunca desacupou. Então, então. A Dadá é aquela que o macharedo tinha apelidado de Clarimunda, porque é feia de cara e boa de bunda. Só podia dar côsa! O pai dela matou um por causo disso. Daí, os rapági começaram a chamar a rapariga de Clari, mas o João dos Vrido, que tava aforagido da prisão na épa, meaçou de novo mandar bala com o chimite. Foi quando pilidaram a bisca de Dadá, que dá mais que chuchu na serra. Então o João dos Vrido se arrenegou-se, se entregou pros políça e vévi preso inté dizaôji. O tio Zozó pegou a vridaçaria pr’ele e bate os coroto num dia co’a mãe e noutro co’a filha.

Vou convidar as duas pra sair fantasiadas de Conchita na ala A Vredade das Jinitera, as prostiputa que trabaiam nos resort de lá - na ilha de Cuba, resort de luxo póoode! As jinitera fáji todas côsa seçuali com os turista a troco de 5 dólar, uma drumida em colchão firme e um banho de água quente.

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.dói...

 
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