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O que eu estava fazendo no dia 13 de dezembro de 1968,
quando foi decretado o AI-5, que marcou o endurecimento
da ditadura? Queria ser professor. Estava fazendo
vestibular para a Faculdade de Filosofia.
Embora hoje eu seja um empresário, nunca deixei de
acompanhar as desditas de uma classe a que, um dia,
cheguei a considerar seriamente a proposta de pertencer.
A propósito, minha esposa insiste que essa seria a minha
verdadeira vocação.
Acredito no poder transformador da educação. Na
necessidade da escola pública de boa qualidade, gratuita
e universal, mas me revolta profundamente o desrespeito
com que são tratados os professores no momento. A escola
tem de ser aberta, tem de acolher a todos, em especial
aos mais carentes, mas isso não quer dizer que aos
mestres não cabe impor condições para receber os alunos
em sala de aula. Tudo na vida tem limites.
Minha proposta é bem simples. Antes de ingressar no
primeiro grau, todas as crianças deveriam ser submetidas
ao vestibular das “palavrinhas mágicas”. Quem souber
usar as palavrinhas entra. Quem não souber, papai e
mamãe levam de volta para casa e só a trazem novamente
quando elas tiverem apreendido. Ficam para o semestre
seguinte para uma nova tentativa.
Quais são essas palavrinhas mágicas? “Por favor; muito
obrigado; com licença; desculpe.” Coisas do gênero. As
crianças precisam demonstrar que os pais ou responsáveis
a estão EDUCANDO. Ela precisa mostrar respeito às
pessoas que as vão ensinar, elas precisam demonstrar que
sabem conviver em sociedade.
Estamos, pouco a pouco, dando valor novamente à palavra
não. Já é consenso de que não é possível permitir tudo
aos filhos. Da mesma forma, nossa ânsia de termos um
país sem analfabetismo deixa-nos com a idéia de que
temos de ter uma aceitação incondicional da criança.
Alguns dirão que, ao fim e ao cabo, só os pequenos terão
prejuízo. Negativo. Nossa legislação já permite
processar aos pais por abandono intelectual. E, ao
final, se for necessário abrir uma exceção: o aluno não
poderia passar ao segundo ano sem ser alfabetizado e sem
saber as mágicas palavras, do bom convívio social. Que
se manifestem os contrários, para que tenhamos o bom
debate. |