Cacá Menéia

Novembro/2009
 

Viva as tragédia climática!

 

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio, com muita difilcudade de entender as côsa nesse mundo de Meu Deus!

Pois agora! Não é que deram de comemorar até nerversário das destruição das enxurrada? Festa de nerversário de tragédia climática? Meu jezuji!

Só podia dar nisso: festa de comemoração de enxente, só dabaixo de chuvarada.

Mofas cá pomba na balaia, ô. O clima tá nos devido lugári no universo, mô cravos. O que percisa se mudar-se é as acupação malina das área de risco.

Mas já osvi dizer que tão juntando dinhêro pr’arreconstruir tudo dinovo: NOS MESMO LUGÁRI! Ô, ô, mô quiridos! Naonde é que eles juntam tanto dinhêro pra’esperdiçar nas tragédia das chuva anuáli? Vai ver, é isso que comemoram tanto: os negoço lucrativo encorberto de lama! Nuncantes neçepaíz...

No mô fraco modi pensar, deviam de mandar as pobre das vítima das intempéria vender as ocupação das área de risco pros ricaço. Daí, as vítima das chuva anuáli iam ter que reconstruir a vida nas áreas sem risco. Mas é de uma vez por todas - vissem? - que é pra parar com as choradeira e lambança todo ano... e os ricaço que se virem com as intempéria!

Área de risco nas intempéria só pode ser côsa pra rico. Eles é que tão c’oa vida pronta: podem reconstruir tudo todo ano. Que se atormentem, nos alto dos morro, com as ventania batendo nos terraço de vrido 50 milímetro. As onda tão lambendo as casa deles nas beira mári? Danem-se! As água rolaram e periga os palacete ir abaixo? Azári o deles. A lama vai cobrir os carro flamante? Toma! Os rico se viram sozinho, mô pombos! Por isso são ricos. Preles não percisa essa, de os governo fazer gastança e o Brasil parar, de tanta arrecadação pr’ajudar nas reconstrução, tás tolo? Tá liberada a ocupação das área de risco? Tira os pobres de lá e bota só rico! E deixa se lixar!

Adipôji, te garanto que os palacete dos ricos nem vinho abaixo com qualquer chuvinha: rico é rico porque não é tolo, e o que gastou tresontonte, fez bem feito pra dijaôje, aminhê, adipôji de aminhê etrecétera. Os rico levam um ano construindo uma casa que vai durar um século, com risco ou sem risco, faça chuva ou faça sóli.
Pobre, não: pobre tem pouco porque gasta máli o pouco que tem. Em uma semana constrói uma casa ruim, com materiali de terceira. Mas faz casa uma vez por ano. Nos domingo, tem mutirão na comunidade, com çurrasco de gato na laje dos vizinho e tudo. Entre comilança e beberage eles reconstroi a casa numa estação, sob medida pr’ela desabar na mesma, ano que vem? Sem conichões... Todo ano, na mesma data, o pobre chega nas loja da Cassóli, com aquela carinha de quem Deus abandonou, olha pro balconista e confessa: “Desabô de novo...” Já não percisa mais nem lista de material: o vendedor sabe de cor e salteado o que o cara veio buscar, e até o frete t’arreservado. Na mesma data, todo ano...

E as carinha choraminguenta na TV? “Aquele do ano passado não era eu, não, seu Bonner! Era o meu irmão gêmeo...”

Os pobre mais organizadinho carregam pra todo lado o telefone da defensa civil. A filharada também: tem os número das emergença marcado nos caderno de aula. E nos telefone celulári - com câmera - de cada um. Ah, mô pombos, tens que ver os pendraive, carregadinho com as fotos e filme que os menino fazem...

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

 
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