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Ói,
ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada
no Rio Vremeio, com muita difilcudade de entender as
côsa nesse mundo de Meu Deus!
Pois agora! Não é que deram de comemorar até nerversário
das destruição das enxurrada? Festa de nerversário de
tragédia climática? Meu jezuji!
Só podia dar nisso: festa de comemoração de enxente, só
dabaixo de chuvarada.
Mofas cá pomba na balaia, ô. O clima tá nos devido
lugári no universo, mô cravos. O que percisa se mudar-se
é as acupação malina das área de risco.
Mas já osvi dizer que tão juntando dinhêro
pr’arreconstruir tudo dinovo: NOS MESMO LUGÁRI! Ô, ô, mô
quiridos! Naonde é que eles juntam tanto dinhêro
pra’esperdiçar nas tragédia das chuva anuáli? Vai ver, é
isso que comemoram tanto: os negoço lucrativo encorberto
de lama! Nuncantes neçepaíz...
No mô fraco modi pensar, deviam de mandar as pobre das
vítima das intempéria vender as ocupação das área de
risco pros ricaço. Daí, as vítima das chuva anuáli iam
ter que reconstruir a vida nas áreas sem risco. Mas é de
uma vez por todas - vissem? - que é pra parar com as
choradeira e lambança todo ano... e os ricaço que se
virem com as intempéria!
Área de risco nas intempéria só pode ser côsa pra rico.
Eles é que tão c’oa vida pronta: podem reconstruir tudo
todo ano. Que se atormentem, nos alto dos morro, com as
ventania batendo nos terraço de vrido 50 milímetro. As
onda tão lambendo as casa deles nas beira mári?
Danem-se! As água rolaram e periga os palacete ir
abaixo? Azári o deles. A lama vai cobrir os carro
flamante? Toma! Os rico se viram sozinho, mô pombos! Por
isso são ricos. Preles não percisa essa, de os governo
fazer gastança e o Brasil parar, de tanta arrecadação
pr’ajudar nas reconstrução, tás tolo? Tá liberada a
ocupação das área de risco? Tira os pobres de lá e bota
só rico! E deixa se lixar!
Adipôji, te garanto que os palacete dos ricos nem vinho
abaixo com qualquer chuvinha: rico é rico porque não é
tolo, e o que gastou tresontonte, fez bem feito pra
dijaôje, aminhê, adipôji de aminhê etrecétera. Os rico
levam um ano construindo uma casa que vai durar um
século, com risco ou sem risco, faça chuva ou faça sóli.
Pobre, não: pobre tem pouco porque gasta máli o pouco
que tem. Em uma semana constrói uma casa ruim, com
materiali de terceira. Mas faz casa uma vez por ano. Nos
domingo, tem mutirão na comunidade, com çurrasco de gato
na laje dos vizinho e tudo. Entre comilança e beberage
eles reconstroi a casa numa estação, sob medida pr’ela
desabar na mesma, ano que vem? Sem conichões... Todo
ano, na mesma data, o pobre chega nas loja da Cassóli,
com aquela carinha de quem Deus abandonou, olha pro
balconista e confessa: “Desabô de novo...” Já não
percisa mais nem lista de material: o vendedor sabe de
cor e salteado o que o cara veio buscar, e até o frete
t’arreservado. Na mesma data, todo ano...
E as carinha choraminguenta na TV? “Aquele do ano
passado não era eu, não, seu Bonner! Era o meu irmão
gêmeo...”
Os pobre mais organizadinho carregam pra todo lado o
telefone da defensa civil. A filharada também: tem os
número das emergença marcado nos caderno de aula. E nos
telefone celulári - com câmera - de cada um. Ah, mô
pombos, tens que ver os pendraive, carregadinho com as
fotos e filme que os menino fazem...
Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
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