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A revolução benigna
da qual o país tanto precisa terá de começar pela desestatização
da mentalidade. Não faz sentido ficar culpando o mercado pelos
males do mundo mostrando conivência com a extorsão tributária
imposta pelo Estado. Afinal, quem se apropria da parte do leão
de tudo que é produzido neste país? Quando se compara o que a
iniciativa privada faz com os serviços públicos deteriorados,
não há como evitar a pergunta: o que leva as elites pensantes a
atacarem com virulência a economia de mercado fazendo vista
grossa para a mancomunação entre voracidade tributária e
paquidermia estatal? Jamais houve uma campanha do movimento
estudantil contra o Leviatã e a neoderrama. Impressiona o fato
de que se fala tanto em exploração do trabalho, ocultando-se a
informação elementar de que o cidadão paga impostos extorsivos
para ficar ao relento dos direitos básicos. Na Terra Brasilis, a
ideologia dominante ensina que o Estado é Deus - pode tomar tudo
mesmo sem dar nada - e que os que o controlam só pensam no ''bem
comum''.
Em quase todas as
vias públicas importantes das médias e grandes cidades o
motorista é achacado por flanelinhas que fazem ameaça velada
quando pedem para ''tomar conta do carro''. Quando o ''serviço''
é normatizado pela prefeitura, se paga em torno de dois reais
para deixar o carro por um período definido de tempo. Que
sentido faz pagar para deixar o carro na rua sem proteção, à
mercê de danos e mossas? O curioso é que quem faz seguro total
do carro - contra furto, roubo, incêndio e acidentes, etc. - não
se dá conta de que despende uma ninharia em comparação com o que
paga ao estado (o famigerado IPVA) e com o que se vê obrigado a
dar a flanelinhas e guardadores. O seguro total de um carro
médio, em cidades infestadas de ladrões, fica em média 5% do
valor do veículo. Isto costuma ser equivalente a um dispêndio
diário na faixa de 3 reais por dia. Uma verdadeira bagatela se
comparados aos dois reais pagos para estacionar sem qualquer
tipo de proteção. É a falta de percepção deste tipo de distorção
que leva as pessoas a dirigirem a revolta para o alvo errado: a
economia de mercado. As empresas no Brasil costumam ser mal
vistas; algumas até merecem a má fama. Mas a grande maioria
vende produtos e presta serviços bons e baratos.
Não há como deixar
de causar revolta o fato de o valor do IPVA ficar muito próximo
do que é cobrado por um seguro de automóvel. Caso se junte o que
é pago todo dia ao flanelinha com o despendido com IPVA, o
montante ultrapassará o que é pago à seguradora para que o carro
tenha cobertura total. Quem é o vilão? A iniciativa privada ou o
Estado? Quem achaca o cidadão não é a seguradora e sim os que se
assenhoreiam do espaço público e o estado que cobra um IPVA
desproporcional. Se os que pouco ou nada têm a oferecer cobram
muito mais do que os que muito nos proporcionam, é grave a
distorção.
O brasileiro pensa
que a maior parte de seu dinheiro enche o bolso de empresários
desalmados. Com isso, erra de vilão. O caso dos flanelinhas e
dos impostos é apenas um exemplo que mostra que neste país, por
ter o Estado se formado antes da sociedade, por terem os grupos
de pilhagem se articulado antes que se formasse uma consciência
cidadã individual, poucos conseguem enxergar o óbvio: que o
grosso das riquezas produzidas não vai para quem trabalha ou
empreende e sim para a burocracia parasitária. É fácil constatar
que quem cobra sem esbulhar é a iniciativa privada. Mesmo
porque, para ter um lugar ao sol, as empresas que disputam
fatias de um mercado marcado pela acirrada competição precisam
fazer das tripas coração.
E o que faz o
Estado quando gasta desbragadamente e com pouca racionalidade?
Aumenta impostos e faz subir a taxa de juros para não ter de
cortar despesas. |