Artigos maio/2007:

   

Eu já tive dengue. E você, ainda não?

Glauco Fonseca

 

Há sete anos, eu morava em Recife, cidade belíssima e de gente muito trabalhadora e hospitaleira. Como nada é perfeito, lá fui picado por um mosquito da dengue, desses do tipo que hoje assola o norte e o nordeste do nosso Estado. Começou um pesadelo que durou 11 intermináveis dias, daqueles em que sair da cama é quase impossível.

Começa com uma febre fraca que vai aumentando e estabiliza nos 39oC/40oC. A febre é acompanhada de dor no corpo, permanente, daquelas que não adianta tomar remédio. A dor, por sua vez, não deixa a gente dormir direito. Daí, o último recurso que parece ser salvador é um bom banho. Nada disso. Os pingos d’água chegam a doer em contato com a pele e o desconforto aumenta. O resumo da ópera é febre permanente beirando os 40oC, dor no corpo todo, dos pés ao cabelo, um sono que não se resolve, de baixa qualidade e quantidade. O banho, aquela coisa gostosinha de se tomar quando se está doente, com dengue não funciona muito bem. E a comida?

Capítulo à parte, comer é uma tarefa da qual logo desisti. O sabor desapareceu e canja é a única coisa que dá vontade de tomar. Não fiquei com fome nem com sede, não dormi direito nem uma hora sequer em mais de 10 dias. Que horror.

Nos últimos três dias de uma doença cujos sintomas a gente já conhecia de outras enfermidades (febre, dor, insônia etc.), mas que se potencializam sem que os dias aplaquem a intensidade do desconforto, eis que a doença decide ir embora. A febre desaparece e a dor também. Quando tudo parece que está melhorando, entretanto, surge uma coceira no corpo inteiro, acompanhada de uma vermelhidão desagradável que dá vontade de deitar-se numa banheira de xilocaína. E a gente não pára de se coçar durante dois malditos dias.

A dengue que eu peguei foi a considerada light perto das outras versões, que culminam com a hemorrágica.

Depois disso, era repelente e inseticida todas as noites, dentro e fora de casa, porque, naquela cidade maravilhosa que é Recife, não adiantava mais tirar água de pneus nem esvaziar pratinhos de plantas.

Em SC, entretanto, é bom atentar para as pequenas providências que podem evitar o enorme - e que pode até mesmo ser fatal - desconforto da dengue.

 

O autor é consultor de empresas