|
Há sete
anos, eu morava em Recife, cidade belíssima e de gente
muito trabalhadora e hospitaleira. Como nada é perfeito,
lá fui picado por um mosquito da dengue, desses do tipo
que hoje assola o norte e o nordeste do nosso Estado.
Começou um pesadelo que durou 11 intermináveis dias,
daqueles em que sair da cama é quase impossível.
Começa com
uma febre fraca que vai aumentando e estabiliza nos
39oC/40oC. A febre é acompanhada de dor no corpo,
permanente, daquelas que não adianta tomar remédio. A
dor, por sua vez, não deixa a gente dormir direito. Daí,
o último recurso que parece ser salvador é um bom banho.
Nada disso. Os pingos d’água chegam a doer em contato
com a pele e o desconforto aumenta. O resumo da ópera é
febre permanente beirando os 40oC, dor no corpo todo,
dos pés ao cabelo, um sono que não se resolve, de baixa
qualidade e quantidade. O banho, aquela coisa gostosinha
de se tomar quando se está doente, com dengue não
funciona muito bem. E a comida?
Capítulo à
parte, comer é uma tarefa da qual logo desisti. O sabor
desapareceu e canja é a única coisa que dá vontade de
tomar. Não fiquei com fome nem com sede, não dormi
direito nem uma hora sequer em mais de 10 dias. Que
horror.
Nos últimos
três dias de uma doença cujos sintomas a gente já
conhecia de outras enfermidades (febre, dor, insônia
etc.), mas que se potencializam sem que os dias aplaquem
a intensidade do desconforto, eis que a doença decide ir
embora. A febre desaparece e a dor também. Quando tudo
parece que está melhorando, entretanto, surge uma
coceira no corpo inteiro, acompanhada de uma vermelhidão
desagradável que dá vontade de deitar-se numa banheira
de xilocaína. E a gente não pára de se coçar durante
dois malditos dias.
A dengue
que eu peguei foi a considerada light perto das outras
versões, que culminam com a hemorrágica.
Depois
disso, era repelente e inseticida todas as noites,
dentro e fora de casa, porque, naquela cidade
maravilhosa que é Recife, não adiantava mais tirar água
de pneus nem esvaziar pratinhos de plantas.
Em SC,
entretanto, é bom atentar para as pequenas providências
que podem evitar o enorme - e que pode até mesmo ser
fatal - desconforto da dengue. |