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Na África, poucas pessoas
terão a oportunidade de ver Al Gore, o ex-vice de Bill
Clinton, e sua trupe de “rock stars” se exibindo neste
fim de semana no festival LiveEarth. Elas não possuem
televisão nem eletricidade, e, se possuíssem, ficariam
chocadas com a mensagem do LiveEarth. Nossas
preocupações, na África, são muito mais sérias do que a
alteração do clima. Na verdade, se essas estrelas
alcançarem seu objetivo, seus shows terão prejudicado os
povos africanos.
O antigo secretário de
Estado britânico do meio-ambiente, David Miliband, disse
recentemente que o resto do mundo não pode almejar o
padrão de vida do seu país, porque “se o mundo tivesse o
mesmo padrão de vida que nós temos na Grã-Bretanha,
precisaríamos de três planetas para nos sustentar”.
Presumivelmente, o Sr. Miliband discordaria de Indira
Gandhi, que declarou: “a pior das poluições é a
miséria”.
Miliband foi substituído
por Hillary Benn que, como Ministra, dirigiu o
Departamento para o Desenvolvimento Internacional (DID).
Pode-se pensar que o DID teria apoiado o desenvolvimento
econômico como um meio de escapar da miséria e da
poluição. Mas seu “Guia Básico para um Mundo Melhor”
defende um certo “Desenvolvimento por estrume” e declara
que “conforme os países pobres se desenvolvem, é
essencial que eles não usem os mesmos padrões
mal-sucedidos de uso de energia”. Não ao diesel; para a
África, o estrume. Enquanto isso, Índia e China voam na
dianteira porque são grandes e armados demais para serem
parados.
Mesmo que o aquecimento
global possa ter um efeito significativo no nosso clima,
limitar o uso de combustíveis fósseis na África seria
contraprodutivo. Infecções respiratórias são a principal
causa de mortalidade infantil no meu continente,
geralmente ocasionadas pela inalação da fumaça produzida
quando se queima madeira e estrume nas nossas toscas
moradias de pau-a-pique. Por que nós queimamos esses
combustíveis “renováveis”, mas extremamente sujos? Não é
por algum desejo de salvar a Terra. É por que não temos
acesso a gás natural ou a eletricidade.
A segunda principal causa
de morte infantil não é a malária ou Aids. É a diarréia,
ocasionada pela ingestão de água contaminada.
Contaminada porque não possuímos meios baratos e
eficientes para bombear e limpar a água. A eletricidade
necessária para esses processos requer, direta ou
indiretamente, o uso de combustíveis fósseis.
Outra causa basilar dos
muitos problemas de saúde na África é a desnutrição.
Consequência, tanto da agricultura rudimentar, quanto da
ineficiente redistribuição de alimentos. Retificar essa
situação significa usar combustíveis baratos e
relativamente limpos, como gasolina e diesel. E rodovias
melhores, que precisam ser construídas com máquinas que
queimam... combustíveis fósseis.
Nossos países, que já são
pobres e vulneráveis, estão sendo sugados por um
movimento gigantesco para salvar a terra – onde a ajuda
externa funciona como a cenoura pendurada na frente do
burro. Se formos bajulados a usar formas de energias
“renováveis” e mais caras, permaneceremos
não-competitivos, com taxas de crescimento baixas ou
decadentes. Seria uma tragédia porque o crescimento
econômico tem se mostrado a melhor maneira de reduzir a
pobreza e melhorar a saúde.
Infelizmente, nossos
governos mendigos são suscetíveis a ordens que já vêm
prontas, especialmente quando acompanhadas de ajuda
externa (com a qual eles enchem os bolsos). Por favor,
Europa e América, não os encorajem! Cortem suas emissões
se quiserem, mas não nos digam o que fazer. Temos riscos
mais urgentes para tratar.
O ser humano é um animal
adaptável. Sobrevivemos a uma era glacial e a um período
muito mais quente do que hoje (por volta de 8 mil anos
atrás). Os holandeses livraram sua terra do mar e sobre
ela construíram cidades inteiras. Na Arábia Saudita, se
bebe água do mar dessalinizada. Os tuaregues se
adaptaram ao calor ardente do Saara e os esquimós ao
frio congelante do Ártico.
Por que, então, os
pessimistas acreditam que não vamos conseguir nos
adaptar a mais uma mudança climática? Por que fazem uma
tempestade de uma pequena variação ambiental? Talvez
eles não gostem da idéia de um desenvolvimento africano.
Se o aquecimento global é verdadeiro, a África precisa
de mais recursos e acesso a tecnologias avançadas para
se adaptar, e não de táticas rústicas que definham o
crescimento econômico. O que políticos de meia-idade e
estrelas do rock farão por nós quando o futuro chegar? |