Cacá Menéia

 

Cachê-currupaco...

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio. Não fiz falcudade e nunca fui viageira.

Dizem que é prisso que tenho tanta difilcudade de entender o mundo inteligentoso na volta do meu pasto, não tem?

A multidão que ocupa os cargos públicos é um dos casos mais sérios que atravancam as minhas sinapses. Meus neurônios não processam essa gente nem a machado!

Não posso saber quando é que eles trabalham. Já repararam? Todo dia tem audiência pública, reunião, seminário, palestra, encontro, que a povança deve de comparecer sob pena de perder a moral do cargo de povo cidadão de quem é dono do poder público. Quase sempre dum dia pro outro tem uma nova convocação: precisam ouvir as comunidades pessoalmente, para que digam o que é mióri e mais necessário para elas em matéria de políticas públicas. É a moda de hoje em dia: a tal gestão participativa. De primeiro, era só os pestista que tinham essa neura. Agora tudo quanto é partido que ganhar inleição entra nessa: escreveu, não leu, consulta direta, nas fontes. Até para botar mais energia para a cidade os desgramado intentaro que precisa de audiência com o povo. Mas se foram eleitos para isso, suas antas! Bota mais energia e fim de caso.

Ué?!? Não ganharam a inleição porque na campanha prometeram que sabiam tudo o que a povança percisa e como fazer para realizar? Adepôgi que estão nos cargo - tás tolo? - perdem a memória. Que saco! Vévim querendo reunir a gente para repetir pra eles, que nem papagaio, as coisas que eles tem que fazer! Bobagem. As deficiências estão aí pela cidade toda, pra serem vistas a olho nú. Só não vê quem não quer. É pegar e fazer bem feito: segurança, saúde, educação, saneamento, energia, transporte, pavimentação, calçada. Mais tudo! Só quebra-mola que não precisa mais. Tem que dá e sobra.

Nimi não, moço!! Ganharam tanto voto e cargo muito bem remunerado - até para doar para parentada e amigos - e chega na hora de cumprir o que prometem, é só reunião e audiência c’os inleitor? Vão passar os quatro anos só convocando o povo para repetir o que os políticos mesmos disseram que sabiam melhor do que todo mundo que tinha que ser feito? Que encheção é essa? Toda hora me chamando hoje para eu ir amanhã repetir o que eu já disse miles vêgis, ontem, antontem e tresontonte. Tão surdo, ô tranqueiras? No’entendem magi a nossa língua, seus cu de cachorro? Ói, ói, ói, que filhos do Tibinga! Garanto que adipôgi ainda vão querer ser reinleito. Fala sério!

Acho que o povão tá percisado de chefiar mióri esses seus empregado mandrião. A população tem que impor mais disciplina de trabaio de verdade para eles pararem com essa de que todo o poder emana do povo, mas só na embromação e no papo-furado. Porque é tudo mentira: eles nunca atendem o que a gente reivindica e só fazem o que bem entendem, pouco, e muito do máli feito, tudo de qualquer jeito. São uns preguicento... é tudo pegá petas em nós, trafuncada mesmo, malinagem dessa gente.

Eu não posso andar por aí, correndo sete marias, de reunião em reunião, de audiência em audiência, para legitimar uma reinvenção da roda quadrada por mês. Eu trabaio para sobreviver porque não tenho (e nem quero) uma tetinha no governo com salário garantido, trabaie ou não.

Para mim, chega. Cidadã eu sou. Meu voto não é de aluguel. Mas, daqui pra frente, cobro um cachê-currupaco: por hora de trabaieira como papagaio de audiência pública de araque.

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

cacameneia@yahoo.com.br