| Janeiro/2007

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio
Vremeio. Nunca fui viageira e fui pra falcudade já era véia.
Dizem que é por isso que tenho tanta difilcudade de entender o
mundo inteligentoso na volta do meu pasto, não tem?
Por exemplo, a falta de um Plano Endireitor em Floripa é de
arrombar co’as minhas sinapses - coitadinhas delas!
Plano Diretor, a cidade já tem dois e vai pro terceiro. Tem o PD
dos Balneários, desde 1985, e o do Distrito Sede, de 1997. Bom
pô fogo, os dois: ninguém obedece nem respeita. Agora vem o PD
Participativo. Bobaisada! Sem um Plano Endireitor de cidadão,
nenhum Plano Diretor funciona.
Tão aí, dijaôje, os balneários e a sede, que não me deixam
mentir: a cidade mofa co’a pomba na balaia por causa dos istepô
que vivem nela. Os malinos passam por longe de carqué plano, com
diretor ou sem. Fazem de conta que não sabem que egiste PD. E os
diretores dos planos tiram a pichorra: fazem de conta que não
vêem as malinagem por todo canto. E a Ilha afundando no rebuliço
dos ladino, dos jacú rabudo, dos mandrião, dos c... de cachorro.
Nativo e vindo de fora.
Meu primo, o Nico da tia Deca, que é casado com a carioca Vera
da Portela, já sugeriu até trocar o slogan da Ilha da Magia para
Floripa Dijaôje, Rio de Janeiro Amanhã!
Estamos percisados de um bom Plano Endireitor para enquadrar os
cidadãos de araque. Eu tenho um pra sugerir e uma lista de
candidatos pr’ele.
Umas parentada manezinha, que vende as nossas terras sem se
preocupar em saber o que vão fazer com elas, são os premeros.
Uns cheira-c... de carqué endinheirado que ofereça merreca pelos
nossos pastos. Entregam a cidade de baubada prozôtros e adipôji
andam chorando pelos cantos, os malfarrico banzo. Mazanzas! Caem
nas balela até de mané jorda de fora, dos cheio de sotaque, e
entregam os nossos bens de raiz por carqué tostão. Adipoji ficam
aí, se queixando que a cidade tá cheia de gente demais e nós,
maleixos, por falta de escola, posto de saúde, transporte, por
falta de poliça. Meu Plano Endireitor pros manezinhos
malifazejos.
Tem uns estrangeiros que vêm pra cá também percisados de uma
endireitada nos cornos com o meu Plano. Vêm mas não gostam. Caem
de amôri pela cidade mas tá tudo errado na Ilha. Ah, não amola!
Por que vinhéro?
A minha vizinha Chinoca - bem gauchinha ela, coitadinha! -
deitada na rede, vévi apontando defeito, não tem? As ruas são
servidões estreitas, não tem calçada, falta asfalto, condução é
pouca, a violência tá grande, emprego cadê? Não força, ô gaúcha!
Deu pra ti, baixo astral. Vai pra Porto Alegre, tchau!
E o meu vizinho paulista - que detesta ventania, foiarada de
álvore na piscina e quer asfalto esparramado em todo lugar? Ô,
esse menino: nem te ligo ferro antigo! Vou te dizer uma coisinha
pra ti: se o teu negócio é concreto, tem na Avenida Paulista.
Vai pra Ipiranga com a São João!
Tem uns que outros enjoados dos movimentos sociais. Vévim se
gavando que sabem-tudo, especialistas em conselhos populares, em
estatuto pra cidade, em plano diretôri, vissem? Querem dirigir
os trabalhos do Ipuf porque tão nas lutas de arrumação da cidade
há mais tempo que todo mundo. Eles é que tão! Ué? E quando foi,
então, que a Ilha da Magia ficou do jeito de dijaôje? Do jeito
que falam, Floripa tá desmazelada, uma talibaga mondronga. E
eles, estavam cuidando do quê, afináli, enquanto isso acontecia?
Meu Plano Endireitor é bom pr’esses miserentos.
Alguns ambientalistas-melancia-eco-chatos, também minervam.
Batem nos peitos, gumitando prozôtros décadas de salvação do
meio ambiente da Ilha. E Floripa cada vez tem menos mári limpo,
menos álvores nativas, mais morro cimentado, mais duna
entijolecida, mais área de proteção invadida, mais mijança e
cagança no Aqüífro. E ambientalista-melancia-eco-chato se
reproduzindo que nem rato. Meu Plano Endireitor também é bom
contra isso.
E as otoridade? Ah! Elas são a verdadeira consumiçã de Floripa!
Governadores e prefeitos caga-meadas e trafunqueiros,
secretários balaqueiros e trampolinos, marajás do tibinga,
barnabés tangalamangas, vereadoris mandriãos, fiscais
saramalignos da Fátima, da Florão e da SUSPeita... tão na lista
do meu Plano Endireitor para salvar a Ilha Capitáli.
Tem que acabar co’a raça deles. Disvaziar daqui os istrovador
malino e abrir espaço para o nosso Plano Diretor funcionar e
salvar Floripa do naufrágio.
Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
|