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Ói,
ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
Eu sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e
criada no Rio Vremeio.
O nosso prefeito imperfeito, o seu Dáro Bergui, mandou
dizer que vai aumentar vaga nas creche na cidade. Ué!!
Já tá faltando vaga nas creche DE NOVO?!?! Mofas c’a
pomba na balaia, ô seu dotô! Não é creche que falta, é
criança que sobra. Os privado batem os crôto de montão e
atiram as cria nas costa larga do púlbico. No mô fraco
modi pensar, o prefeito imperfeito devia de usar um
pouco da verba das creche para mandar castrar muié e
cortar crôto de macho, que é para pararem de botar no
mundo fiarada que não têm conichões de criar. É baubada!
E a União Federáli Pestista deçepaíz? Eu sube que
dijaôji quer proibir os hotélis e restaurantes de botar
mesa e cadeira nazareia da Ilha Capitáli pros turista,
que é pra sobrar mais espaço pros banhista. Ué! Mas
banhista e turista não é tudo iguáli? Não? Hum... Ah,
então tá! Agora entendi: é que banhista é pobre e traz
as côsa de casa. E turista é rico, istepô, gasta só pra
dar lucro pro empresáro malino. Tás tôlo? É por isso que
banhista com barraca, mesa e cadeira, pra farofada e o
surrasco nas moita, tem muito mais direito humano
fundamental de espaço nazareia da praia em Floripa, do
que turista só de polchete, aboletado nos conforto
oferecido pelos empresáro estabelecido. Nazareia da
praia da Ilha, banhista ranga sentado e turista come de
pé. Arrombassi!
Visse, mô cravos? Já di pro Papai Noéli o meu bietinho e
não pedi nada pra mim, só prozôtros. Quero só que, na
passada por aqui, ele dê carona no trenó pros nossos
vizinhos que vinhéro de fora pra se homiziá e não
gostaram. Vévim pel’aí, cabisbaxos, numa tristeza de dar
dó, choramingano pelo cantos, de máli co’mundo, porque
aqui nada presta. Quanta desilusão co’as Magia da
Ilha... as praia são poluída e tem cachorro, nossos
ônibus são pouco e véio, as estradas são ruim e o
trânsto é engarrafado, o Centro é caótico e os bairro
inseguro, as rua não tem calçada nem pavimento, falta
água e luz, creche, escola e posto de saúde. Os preços
são muito caros e, ainda por cima, os manezinho são
antepáticos.
Por isso, não percisa o Bom Velhinho dar nada pra mim.
Só quero que ele refaça a felicidade dessa pobre gente
arrependida, que deu o mau passo na vida de se mudar pra
Floripa. Ele larga os paranaense na Ilha do Méli, os
paulista em Ilhabela, os carioca na Ilha do Governadôri
e, daí pra cima, faz uma parada na Ilha do Bananáli e
outra em Fernandi Noronha. Ah, sim! Pros gaúcho, o
desembarque é na Ilha da Pintada.
Oi, oi, oi, que sê manezinha às vezes dói...
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