Cruz e Souza
(*1861 +1898)

 

Morre com teu dever,
Desdenhando de toda
Recompensa.
- CS

 

Quem assistiu ao teu espasmo obscuro
Oh, ser humilde entre os humildes seres
Disseste em versos que em teus deveres
Atravessaste no silêncio escuro

Teu sonho místico sobrepõe-se a sina
De pela cor viver discriminado
Simbolizaste no verbo apaixonado
A dor que punge e o belo que fascina

Foste um esteta num viver de horrores
Ser transcendente a infinitas dores
E ao finito do corpo em agonia

Tens agora no Além ternura e afeto
O inalcançado amor - sonho dileto
Da tua alcandorada poesia.

Moacyr Calheiros
Campeche
Dezembro de 2007