Cacá Menéia

 

A povança é de doer

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio  remeio. Não fiz falcudade e nunca fui viageira.

Dizem que é por isso que tenho tanta difilcudade de entender o mundo inteligentoso na volta do meu pasto, não tem?

Plano Diretor! Taí um assunto que não me entra na caixola nem a machado.

Ô, seu delegado Ildo Rosa! És o bicho, viu mo cravo? Mas mofas co’a pomba na balaia: tás fazendo graça pro diabo rir. Floripa já tem um plano diretor furado! Para que dois, sem ser respeitado? A povança é que é mandriã, malina, mané jorda. Essa gente é de doer!

Não tem cidade que  resista à população mal-educada e irresponsável que nela vévi. Eu é que sei, com esses tibinga aqui, pintando os caneco na volta do meu pasto.

Pudera! É quase um século de lavagem cerebral com o pobrismo do seu Marquis: pode mais quem é mais necessitado, sendo ou não, os istepô. Não se admira que de fio a pavio todo mundo se apresente nos balcão das políticas públicas com título de eleitor de pobre, miserável e desamparado, com direito humano fundamental adquirido a tudo de graça e sem regulação. Deveres e obrigações? Necas. Isso não existe! E dá-lhe botar cria no mundo, que pra issoninguém percisa da caridade dos outros ou de licença de plano diretor, certo? Afinali de contas, quanto mais barrigudinho pra botar na frente das reivindilcações de redistribuição de riqueza, mió.

Ô, seu delegado: tá todo mundo só na de querer o que é de si e o do Rauliô. Até morro, duna, rua e calçada, que não tem como esconder, tão tudo roubado na cidade. E quem é que rouba? A povança, meu senhôri, para usar como terreno particulari! A povança rouba luz nas gambiarra, água nos poço, joga lixo nas dunas, faz xixi e cocô em cima do aquífro, fura fila nos ônibus e bota os idosos nas filas dos posto de saúde e caixa de banco. E um pudê de cosa mági, num tem? Plano diretor? Que nada! Isso é coisa pra rico e uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, bem diferente...

Adepôgi, tão aí as coitadas das lideranças comunitárias dos movimentos sociais, que não me deixam mentir: tão lotadas de apoio político dos vereadores, do ministério público, são cheias de autoridade e poder coletivo de decisão nas reuniões e audiências com o poder público. As lideranças comunitárias conseguem embargar qualquer condomínio chiquérrimo de rico, empreendimento de golfe turístico e até subestação de energia, aeroporto e marina em Floripa. Mas não conseguem fazer com que os malinos dos seus reresentados respeitem ao menos as regras mais básicas do código de posturas da cidade. Plano Diretor pra quê?

Ó, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

cacameneia@yahoo.com.br