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Ói,
ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada
no Rio Vremeio. Não fiz falcudade nem andei viajando por
esse mundo de meu Deus... Vai ver, é por isso que tenho
difilcudade de entender as choradeira, os queixume e as
denunça dos iscumunguento pra imprensa.
Dijaôji, a denúnça do Abrelino é contra a vizinhança...
na Servidão Abrelino. Quer que a poliça dê jeito nas
badernança e no tráfego de drogas por lá. Ué!? Mas e de
onde saiu aquela malocage toda, onde ano passado só
egistia apenas pasto e vaca? Pois foi o Abrelino! Ele
mesmo picotou a gleba e vendeu os lote de 10 x 15 pros
malino: c’o dinheiro, construiu o casarão na esquina da
Geral, pagou as conta vencida, aumentou o banheiro do
Quinca, trocou o teiado da Nena, deu festa de 15 anos
pra filha da Tida, comprou carro pro rapagi do Peca. E
ainda emprestou pro Neco - aquele, não tem? Casado com a
cunhada do Quinca. O Neco abriu uma vídeo-locadora na
sala de casa... que já fechou tresontonte.
A Marijó só quer asfalto na servidão onde ela mora. Não
agüenta mais ver o filho empurrando a motoca morro
acima, porque o motorzinho não dá conta de subir. Quando
chove, com o barral, não tem jeito: a moto fica marrada
lá embaixo, com os carrinho do mercado do seu Sizo. Pois
agora! Vai entender essa gente! Foi a Marijó que fez a
laje na ribanceira, na mata aprotegida, com vista pro
mári... e já tá achando ruim? Quando os fiscáli da
Florona e da Suspeita quiséro embargar a obra, ela
adenunciou pros jornáli que os problema social dela eram
politicamente aperseguidos. Arrombassi!
A dona Diva vévi reclamando da falta de creche: diz que
não pode trabaiá sem ter onde deixar a fiarada de idade
em escadinha: quatro são de duas ninhada de gêmeo,
tirante fora os avulso. “Que cidade é essa, onde falta
creche? Lá de onde vim isso não acontecia...”
O Pedro quer indenização: queimou os dois PC, as três
TV, os Nintendo e os DVD dos menino, o fax e o
rádio-relógio dele, a chapinha da muié, o microndas,
refrigeradôri, chuveiro, máquina de lavar e o motôri da
piscina. É que já passou demáji da conta os gato e
gambiarra nos poste de lúgi e nos cano de água. E a
turma da servidão não se organiza: todo mundo quer ligar
tudo na mesma hora. A água enfraquece nos cano, a
energia ferve nos emaranhado de fio e PUFT... queima as
côsa drento de casa. A culpa é da Celesc e da Casan, que
tem que pagar os prizuijo do Pedro.
E tem mais...
Ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
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