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De foice, martelo e prego |

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi
dói.
Sou só uma manezinha do
Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio. Não fiz falcudade e
nunca fui viageira.
Dizem que é por isso que
tenho tanta difilcudade de
entender o mundo inteligentoso
na volta do meu pasto, não tem?
Por exemplo: essa mania que
uns bacaninha garraram agora, de
impedir negócios de bem em Floripa,
me atazana o QI até mais não poder.
Que coisa! É embargo de lá, moratória
de cá, congelamento daqui, proibição dali, confisco d... Não,
gente! Confisco e expropriação ainda não tá valendo. Mas
não pode campo de golfe em Ingleses, marina em
Canasvieiras, subestação de energia no Centro, estação de
tratamento de esgoto na Barra, beira-mar no continente,
aeroporto internacional no Sul da Ilha... e chega de mansão
em Jurerê! Tá tudo sob suspeita: despreservam o meioambiente
e melindram os morador pobrinho na volta.
Residencial de classe média e condomínio de luxo? Tás tolo!
Dizem que uma alta otoridade federali, dessas bacaninha,
jurou aos pés da imagem da Nossa Senhora da Conceição da
Lagoa, diretamente na igrejinha dela, no Araçás:
Empreendimento de luxo em Floripa, nunca mais!
Tava tudo dominado, manos: achegação irregular, tudo
bem. Tirante fora invasão de duna, ocupação de morro e
construção em área de APP, tudo o mais não pode.
Ah, sim! Reforma de arromba no prédio da Câmara de Vereadores e
privatização das ruas em volta dela também tá liberado. Nem
percisa audiênça (ops!) pública, que a povança não tem nada a
ver com o que os bacanas de lá fazem com o dinheiro que ganham
com o suor do seu trabalho honesto, de sol a sol, ora essas! Que
neuras, não tem?
Minha vizinha, a dona Chinoca - tão gauchinha ela, coitada! - me
diz que é assim mesmo. Um vereador bacaninha contou pra ela que
qualquer prego fincado na cidade pode - e deve - ser investigado
pela Câmara deles. Que é este o popeli dos vereador, vissem?
Ah, tá! Mas... escusas, não osvi direito a Chinoca e sou até
meio mazanza - ai de mim: e quem investiga os pregos fincados
pelos vereadores? Pois eles tão dê-lhe martelada num pudê de
cosas magi nesta terra que é de todos e, por isso mesmo, de
ninguém. É um preguinho pr’um parente aqui, outro por um votinho
ali, é prego de frente, prego de lado e até de marcha-aré! Tem
uns lugari, como o Rio Vremeio, que parece cama de faquiri, de
tanto prego pregado de ponta-cabeça por vereador. Isso é que é
competência dos bacaninha: eles armam as cama de faquiri e a
gente é que passa a vida deitado nelas.
Mas eu também vou comprar umas ferramentas. E na próxima
inleição vou defender a cidade: de uns bacaninha eu vou cortar o
pescoço de foice; de outros quebro a cabeça a martelo! Os meno
malino eu vou só furar o zoinho com prego.
Ó, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
cacameneia@yahoo.com.br
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