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Sou casado, de papel passado, com a mesma
mulher, há quase trinta anos. Uso freqüentemente as expressões,
por favor, muito obrigado; cedo lugar à mulher grávida e à
pessoa idosa. Antigamente tudo isso era o padrão, hoje uma
exceção.
Atualmente, homens e mulheres trabalham fora.
Comem na rua, com pessoas que não são de sua família. Saem cedo
e chegam tarde, cansados. Natural, que nesse momento, queiram
ser amigos das crianças, fazendo de tudo por um pouco de paz e
sossego. Daí a querer empurrar toda educação para a escola é um
passo.
Se muitas coisas mudaram, outras são
imutáveis, como o significado e a divisão de responsabilidade
dos verbos educar e ensinar. Acostumamo-nos a usá-los como
sinônimos, mas têm significados bem precisos. Os pais educam; os
professores ensinam. O próprio dicionário nos dá a
diferenciação. Educar significa criar, desenvolver as faculdades
psíquicas, intelectuais e morais; praticar os hábitos sociais.
Para nós homens, em bom português, dar limites!
Aos professores compete ensinar, que
significa, transmitir conhecimentos. Os jovens vão à escola
estudar português, matemática, ciências, etc. A nova realidade
familiar está trazendo para a escola um aluno que desconhece o
significado da palavra – não. Revoltam-se contra os professores
que os contrariam e, de modo desvirtuado, escondem-se no
Estatuto da Criança e do Adolescente.
Há aluno querendo tratar os mestres como
serviçais, o que já seria uma grosseria, e os pais dando a maior
força.
Há um milagre que, professor algum, jamais
conseguirá fazer: dar limites a uma criança que não traga de
casa a noção. Em verdade, só os educados podem ser ensinados! |