Artigos fevereiro/2007:

Pais e Mestres

 

Luiz Fernando Oderich

 

Sou casado, de papel passado, com a mesma mulher, há quase trinta anos. Uso freqüentemente as expressões, por favor, muito obrigado; cedo lugar à mulher grávida e à pessoa idosa. Antigamente tudo isso era o padrão, hoje uma exceção.

Atualmente, homens e mulheres trabalham fora. Comem na rua, com pessoas que não são de sua família. Saem cedo e chegam tarde, cansados. Natural, que nesse momento, queiram ser amigos das crianças, fazendo de tudo por um pouco de paz e sossego. Daí a querer empurrar toda educação para a escola é um passo.

Se muitas coisas mudaram, outras são imutáveis, como o significado e a divisão de responsabilidade dos verbos educar e ensinar. Acostumamo-nos a usá-los como sinônimos, mas têm significados bem precisos. Os pais educam; os professores ensinam. O próprio dicionário nos dá a diferenciação. Educar significa criar, desenvolver as faculdades psíquicas, intelectuais e morais; praticar os hábitos sociais. Para nós homens, em bom português, dar limites!

Aos professores compete ensinar, que significa, transmitir conhecimentos. Os jovens vão à escola estudar português, matemática, ciências, etc. A nova realidade familiar está trazendo para a escola um aluno que desconhece o significado da palavra – não. Revoltam-se contra os professores que os contrariam e, de modo desvirtuado, escondem-se no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Há aluno querendo tratar os mestres como serviçais, o que já seria uma grosseria, e os pais dando a maior força.

Há um milagre que, professor algum, jamais conseguirá fazer: dar limites a uma criança que não traga de casa a noção. Em verdade, só os educados podem ser ensinados!

 

O autor é empresário e presidente da ONG
Brasil Sem Grades (www.brasilsemgrades.org.br)