Cacá Menéia

fevereiro/2007

A pena é de morte!

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio. Nunca fui viageira e fui pra falcudade de Deretio já era véia. Dizem que é por isso essa minha difilcudade de entender o mundo inteligentoso na volta do meu pasto, não tem?

Esses mazanza que insistem em pedir pena de morte para os criminosos hediondos, por exemplo, dão urticária nos meus neurônios nervosos politicamente incorretos!

A impiliquentação da hora é com os “guris do Chico Buarque”(*), excluídos do capitalismo maldito, que arrastaram João Hélio, 6 aninhos, pelas ruas do Rio, dependurado pelo cinto de segurança do carro da mãe, até ele ficar estraçalhado: uma massa de carne e sangue, pedaços do corpo espalhados em vários bairros. No mo fraco modi pensar, pena de morte para os carniceiros é uma grande injustiça! Tás tolo? Estou solidária com o Lula Babá e os 40 luladrões, com a petralhada e com os esquerdopatas de todos os matizes que defendem a ressocialização.

E tenho uma sugestão que alcança os três elementos determinantes da eficácia das leis penais (isso NÃO aprendi no meu curso): o desestímulo ao crime, a punição do ato criminoso e o isolamento dos indivíduos perigosos.

A pena é: LOBOTOMIA! A solução para ressocializar bandido. Acorrenta-se o côsa ruim numa maca do corredor do SUS e corta fora as partes doentes e hiperaltivas do célebro dele. É parecido com o que fizeram com o nosso guri, só que eu recomendo o estilo cirúrgico: limpinho e discreto. Mas é sem anestesia também, porque os desgraçados já nascem insensíveis de pai e mãe. Pra quê desperdiçar o medicamento? Ô mô sagrado! Com lobotomia, o demônho deita bandido e levanta abobado. Arrombassi!

E eu sugiro otimizar a vaga no SUS, já mandando capar o pinguelo e os corotos dos caras, que isso ajuda a ressocialização: sem as tentações do sexo eles ficam ainda mais calmos e bem comportados. E, de quebra, o Brasil melhora muito sem descendentes desses infelizes.

Para ressocializar mió ainda, é bom dar uma limpada nos zóios dos guris do Chico, que é pr’eles pararem de enxergar apenas malinagem para fazer na vida. Aqui em casa eu uso um limpa-vridro a base de querosena, que é bater e valer! É só pingar umas dez ou trinta gotas de querosena pura nos cristalinos deles - beeem de-ga-va-ri-nho - que a visão de certo e errado dos animáli (escusas bicharada) mióra bem.

E já que vamos botar colírio nos zoinhos: limpamos os tímpanos dos guris do Chico? Zovido limpo também é bom para ressocializar. Sujos, eles só escutam as influências da bandidagem. Três colheres de sopa de soda cáustica em cada orêia desmancha a cera na hora. É o que uso na patente aqui de casa e nunca falha.

Os cú-de-cachorro chamaram a mãe do João Hélio de vagabunda e disseram que o corpo estraçalhado do nosso guri era um boneco de judas malhado. Percisam proveitar a estadia no leito do SUS para ressocializar também a boca de bernunça dos malifazejos. O meu primo Neco, da tia Lindinha, casado com a Nica do Candonga, é pescadôri dos bons. Dijaôje consigo com ele uns metros de linha dasantiga, boa para fechar para sempre a boca dos guris do Chico Buarque. Podem usar a minha agulha de costurar saco de batata.

Acho que se for cortado os pés e as mãos desses miserárves eles aprendem mais fácil a não pegar as coisas dos outros. Principalmente as porcarias que os malditos capitalistas criam para atrapalhar a vida das pessoas em sociedade, como dinheiro, celular e carros de último tipo. Sem as mãos e os pés, a ressocialização dos malfarricos fica mais completa. O Deco empresta a machadinha de lenha.

Só tem um problema: depois da lobotomia geral as ONGs de proteção não vão querer nem saber dos bandidos ressocializados. Afináli, eles deixam de servir pr’aquilo que são educados: andar solto pelas ruas fazendo malinagem do tibinga para cobrar as dívidas sociais do neo-liberalismo com os seus excluídos - a socidedade covarde fica cagadinha de medo e paga em dólar pros caixas das onganizações comunistárias pilantrópicas para ajudar a resolver o problema. Proteger ex-bandido lobotomizado dá muita trabaiêra, despesa e trás pouco resultado pra causa! Nenhuma vai querer zelar por eles?

E vai sobrar de novo para os membros da sociedade: cuidadões de ex-bandidos ressocializados. Nã, nã, nã nã... Sem conichões! Então tá. Eu estou errada e os mazanza têm razão: pena de morte é a melhor solução para os bárbaros!

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.


* (“Meu Guri” - letra e música Chico Buarque, 1981, disco Almanaque, Ariola 201640)
 

cacameneia@yahoo.com.br