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Poucos temas atuais são tão
dogmáticos como o aquecimento global. Que o planeta está
experimentando um aumento na temperatura média, que a
causa disso é a ação humana, e que o futuro é
catastrófico se nada for feito pelos homens são
“verdades” tão absolutas, pelo senso comum, que sequer
merecem questionamento sério. Aquele que ousar fazer
perguntas, demonstrando algum ceticismo, será logo
tachado de herege, como muitos defensores da razão eram
na Idade das Trevas, a era onde a superstição dominava o
conhecimento racional.
Ocorre que o conhecimento objetivo,
como bem nos lembra Karl Popper, evolui justamente pela
crítica, pela tentativa de se refutar as teorias. O
conhecimento é conjectural, “um ousado trabalho de
adivinhar, mas se trata de um adivinhar disciplinado
pela crítica racional”. E segundo Popper, “isso torna a
luta contra o pensamento dogmático um dever”. Como as
conclusões sobre o aquecimento global não parecem
abertas às críticas, podemos concluir que se trata de um
pensamento dogmático. É um dever lutar contra isso,
portanto.
Aqui, não pretendo refutar
cientificamente as principais teses dos alarmistas, até
porque me falta capacidade para tanto, mas apenas
estimular um maior questionamento sobre certas
“verdades”, ou melhor, dogmas. Não custa lembrar o
quanto os “especialistas” do passado já erraram sobre
esses temas. Basta citar que na década de 1970, o pânico
do momento era o esfriamento global. Podemos falar da
SARS também, que iria dizimar boa parte da população
mundial, tal como a peste negra no passado. Creio que
podemos afirmar com elevado grau de certeza, que os
especialistas previram umas mil catástrofes das últimas
dez. O exagero não é por acaso. Eles vivem disso, e se
não há pânico incutido nas pessoas, não há muitas verbas
para suas pesquisas.
No recente Fórum de Davos, um dos
assuntos centrais foi justamente o aquecimento global.
Muitos comemoraram, como se finalmente os economistas
tivessem acordado para a relevância do assunto. Há,
porém, uma interpretação alternativa: o mundo vive uma
fase tão boa e rara de bonança, com forte crescimento
econômico por anos seguidos, que as preocupações mais
básicas e imediatas, como emprego e renda, cedem espaço
para as elucubrações distantes. E um tom escatológico
faz-se necessário, pois caso contrário, ninguém irá dar
muita atenção – nem verbas. A tese malthusiana de fim do
mundo sempre conquistou muitos adeptos, ainda que tenha
sido refutada pela experiência.
Os ambientalistas pessimistas partem
de um fato – o aumento na temperatura média do planeta –
e concluem muitas coisas que não estão, nem de perto,
provadas. Podemos estar diante de uma falácia conhecida
como non sequitur, onde as premissas são verdadeiras,
mas a conclusão não é derivada delas. Não há prova, e
para muitos cientistas sequer evidências, de que é a
ação humana que causa tal aumento da temperatura. Muitos
cientistas renomados, mas ignorados pela mídia e público
em geral, afirmam que a temperatura da Terra sempre
oscilou bastante, que já foi mais quente que a atual, e
que tudo isso é normal. O diretor do Observatório
Astronômico de São Petersburgo, Khabibullo Abdusamatov,
afirma que a atividade do sol é que causa o aquecimento,
e não o “efeito estufa”.
Ele não está sozinho nesse ceticismo.
A lista é enorme, na verdade: Dr. Ian Clark, professor
da Universidade de Ottawa; Dr. Daniel Schrag, de
Harvard; Claude Allegre, um dos mais condecorados
geofísicos franceses; Dr. Richard Lindzen, professor de
ciências atmosféricas do MIT; Dr. Patrick Michaels da
Universidade de Virginia: Dr. Fred Singer; Professor Bob
Carter, geologista da James Cook University, Austrália;
85 cientistas e especialistas em climatologia, que
assinaram a declaração de Leipzeg, a qual denominou os
drásticos controles climáticos de “advertências doentes,
sem o devido suporte científico”; 17.000 cientistas e
líderes envolvidos em estudos climáticos, que assinaram
a petição do Oregon Institute de ciências e medicina,
cujo texto afirma a falta de evidência científica
comprovando que os gases estufa causam o aquecimento
global; e 4.000 cientistas e outros líderes ao redor do
mundo, incluindo 70 ganhadores do Prêmio Nobel, que
assinaram a Petição de Heidelberg, na qual se referem às
teorias do aquecimento global relacionadas aos gases
estufa como “teorias científicas altamente duvidosas”. E
tem muito mais!
Curiosamente, quase ninguém parece
interessado em escutar o que esses cientistas têm a
dizer. Preferem focar a atenção toda em Al Gore,
ignorando que ele é um político e que o uso do
eco-terrorismo lhe rende muitos votos. Muitos aderem à
religião verde por ideologia também. São socialistas que
ficaram órfãos com a queda do muro em 1989, e precisam
de algum substituto para atacar o capitalismo e o
industrialismo. O ambientalismo vem bem a calhar, posto
que prega a concentração de poderes no Estado e condena
o capitalismo como grande responsável pelo aquecimento
global. Estranho é ignorarem que as nações socialistas
sempre foram infinitamente mais poluidoras. Os Estados
Unidos, que reponde por cerca de 30% da economia global,
tem uma participação semelhante na emissão total de
gases. Mas a Rússia, por herança socialista, tem uma
economia de apenas 1,5% da global, e emite algo como 17%
do total de gases. Como podem pedir mais Estado para
resolver o “problema” então? Não é por acaso que são
jocosamente chamados de “melancias”: verdes por fora,
mas vermelhos por dentro.
Muitos afirmam que “o seguro morreu
de velho”, alegando que as conseqüências seriam
insuportáveis se as previsões estiverem corretas. Há
alguma lógica nisso, mas é preciso ter em mente que os
recursos são escassos, e existe um claro trade-off aqui.
Bilhões que migram para a causa ambientalista são
bilhões que deixam de ir para outros projetos, que
poderiam gerar empregos e riqueza. Quando um projeto vai
para a gaveta por conta da barreira ambientalista, são
empregos que deixam de ser gerados. Tudo isso deve ser
levado em conta num debate mais racional e imparcial
sobre o tema, deixando as paixões de lado.
Há muito mais o que ser dito sobre o
tema, de extrema relevância. Poderíamos mostrar como os
furacões e enchentes, agora atrelados ao capitalismo por
esses ambientalistas, causaram mais estrago ainda no
passado, ou então em países socialistas, como a China.
Mas basta um furacão novo surgir que logo acusam o
capitalismo. O rigor científico é deixado de lado quando
o objetivo não é a busca da verdade, mas a alimentação
da crença dogmática. Quando percebemos esse modus
operandi em torno do assunto, fica mais fácil entender a
celeuma e revolta que causou o livro O Ambientalista
Cético, de Bjorn Lomborg, que havia sido inclusive do
Greenpeace. Ele começou tentando provar muitos dos
alardes, e concluiu que a maioria era pura ladainha.
Crentes fanáticos não suportam essa atitude. A
Inquisição é necessária para manter a fé cega.
Infelizmente, estamos diante de um tipo que não pretende
questionar, mas sim pregar seu dogma: o ambientalista
crente. |