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Depois de cerca de dez anos de muita expectativa de quem
de direito, mantido à distância e condenado à mera
curiosidade não satisfeita, o Governo do Estado de Santa
Catarina conquistou para a população o direito de
conhecer o projeto do Porto da Barra. A alforria de
divulgação do empreendimento veio pelas mãos da SANTUR -
Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, que
incluiu a iniciativa da Portobello na publicação do
Relatório de Oportunidades de Investimento SC,
fartamente ilustrado e distribuído durante o WTTC.
O catálogo com mais de cem páginas divide os projetos em
segmentos de Hotéis e Resorts, Parques Turísticos e
Temáticos, Turismo e Real Estate - no qual, às páginas
64 e 65, figura o magnífico residencial com marina - e
Infraestrutura Turística.
A implantação do Porto da Barra vem sendo “negociada” de
forma quase que sigilosa entre o Ministério Público
Federal e a empresa responsável. Um representante da
Portobello chegou a queixar-se que pensava em desistir
do empreendimento: as imposições “ambientais” eram
tantas que o projeto original já estava ficando
descaracterizado. Meses atrás, um jornal do bairro
publicou apelo em nome da comunidade da Barra da Lagoa,
para que a procuradora Analúcia Hartmann permitisse aos
moradores o acompanhamento do que estava sendo
negociado. O jornal não voltou a tocar no assunto. Em
contato com a Portobello, o Jornal Ilha Capital foi
atendido com cordialidade, mas recebeu como resposta que
a empresa temia que, se prestasse informações à imprensa
sobre o andamento das negociações, isso pudesse
prejudicar ainda mais o projeto.
Na
descrição apresentada pelo Governo do Estado de Santa
Catarina constam 129 mil metros quadrados de área total
para 80 mil construídos, com 100 residências e uma
pousada de 30 unidades habitacionais. A população
prevista é de 400 pessoas. O empreendimento possui um
clube náutico com 80 vagas secas e 80 vagas molhadas em
dois canais formados por quatro ilhas, e outras 25 no
porto de lazer. Também haverá um centro comercial com
3.250 m2.
Nesses
anos todos em que rigorosas exigências de proteção
ambiental são impostos ao magnífico projeto da
Portobello, a Barra da Lagoa é vítima de uma criminosa
ocupação predatória, em que construções irregulares sem
qualquer critério instalam-se nas servidões clandestinas
sobre áreas de preservação, estendendo-se morro acima e
derramando-se à beira d’água. Impunemente. |